Refletindo sobre escolhas – Um relato pessoal

Refletindo sobre escolhas – Um relato pessoal

Parece a história de alguém que foi e não voltou – é para lá que eu vou. Ou não vou? Vou, sim. E volto para ver como estão as coisas. Se continuam mágicas. Realidade? eu vos espero. E para lá que eu vou.  

Clarice Lispector

Vejo hoje que minhas escolhas estão me levando para um lugar, um lugar diferente do traçado que amigos e amigas fizeram. Pessoas que conheço de longa data que sempre moraram no mesmo lugar, convivendo com as mesmas pessoas, que tem xs mesmxs melhores amigxs desde o ensino médio, ou até mesmo desde o ensino fundamental. Para mim não foi assim.

Lembro que a primeira vez que fiz um teste pela internet, coisa que adoro perder tempo fazendo e rindo das respostas, algo me surpreendeu. Na minha família, família ampliada incluindo minha avó e tias, sempre se colocava a família em primeiro lugar, e com quase todas as pessoas que conversei sobre o teste havia dado AMOR em primeiro lugar, ou havia dado FAMÍLIA, diferente do meu que deu CARREIRA. Nem lembro mais qual bicho representava a carreira, mas eu me surpreendi. Como era adolescente fiquei meio abismada que não tinha dado AMOR, depois pensei que o certo seria dar FAMÍLIA, porque amor era muito mais volátil, não admiti na época, que, na verdade, era e sempre foi a carreira em primeiro lugar.

Quando, aos 18 anos, saí de casa para fazer faculdade longe do ninho familiar, perdi algumas coisas, alguns momento, especialmente de minha irmã que tinha só 6 meses, mas ao mesmo tempo ganhei coisas inacreditáveis.

Lembro que quando era nova pensava no absurdo de se morar a vida toda na mesma casa, com 17 anos eu refletia que morar na mesma casa para sempre era um absurdo, eu sentia que precisa conhecer mais coisas, e aos 18 anos isso foi possível, mas como disse, não foi sem perdas e não foi uma escolha fácil.

Hoje uma das minhas melhores amigas ainda é uma amiga de infância, quase uma amiga de “nascimento”, embora ela seja um pouco mais jovem do que eu, a amizade dela se tornou uma das coisas mais longas e interessantes de minha vida.

A minha irmã vai fazer 8 anos, que tinha 6 meses quando sai de casa, e, embora não conversamos todos os dias, temos uma conexão incrível, e parte da minha luta feminista, luta por direitos e luta por liberdade, também é motivada por ela, uma menina linda, que, com certeza, vai se tornar uma pessoa instigante, e espero que o caminho dela esteja um pouco mais aberto que o meu, que ser mulher, ser negra, ser gorda, ou qualquer característica física se torne um pouco menos definidor, e que, o que realmente conte muito mais, seja sua inteligência e seu brilhantismo, pois, desde muito nova, sempre foi brilhante, “melhor aluna da classe”, como dizem as professoras, além de um orgulho na minha vida.

Deixei de viver algumas coisas, que vejo que muitas das pessoas que conheci na escola, que tomaram caminhos similares, vivem e até mesmo se vangloriam pelas redes sociais, e que muitas vezes me fazem refletir sobre minhas escolhas. Contudo, fazem 7 anos e mais um pouco que deixei minha casa em São Paulo, deixei minha mãe, meu padrasto e minha irmã, deixei minha vizinha/melhor amiga, deixei minha rotina paulistana, minhas primas, minhas tias, deixei tudo o que conhecia para trás, deixei conforto e o conhecido, e assim conheci muitas outras coisas.

Hoje tenho melhores amigxs espalhados por diversos lugares. Alguns paulistanxs, alguns araraquarenses, alguns são carlenses e até mesmo alguns curitibanos, embora não muito fácil de se fazer amizade, as pessoas de Curitiba estão se tornando cada vez mais interessantes. Além disso, buscando minha carreira, encontrei também um grande amor, um amor que também colocou sua carreira em primeiro lugar, e estamos juntxs há 6 anos e 5 meses, traçando uma carreira profissional e pessoal juntxs.

Todos esses conhecimentos só foram possíveis porque minha carreira estava em primeiro lugar. Hoje estava pensando sobre o tal teste e que fiz e que fez pensar sobre minhas escolhas, Na verdade, acredito que podemos até por alguns objetivos em “primeiro lugar”, mas não é possível escolhermos só uma coisa, porque a vida acontece e muito mais do que carreira OU família OU amor, a vida pode ser carreira E família E amor, carreira e amor, carreira e família, família e amor, o que aprendi é que o importante é ter escolhas reflexivas, nunca acomodadas no conforto do “comum”. Acredito que o destino pode ser o que você quiser, mas foi só através da carreira que consegui entender tudo isso… Louco, não é?

E você para onde está indo agora?

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OBRA PROMOVE A ARTE DE PENSAR (UM POUCO ALÉM DO QUE JÁ PENSAMOS)

No dia 30 de janeiro, a partir das 18h30min, na Universidade Federal de Sergipe, haverá o lançamento do livro “Humanidade e outros pensamentos”, que é composto por várias histórias (algumas reais, outras fictícias). A obra, de autoria do escritor e estudante de Pedagogia da referida Universidade, José Douglas Alves dos Santos, é um incentivo à arte de pensar – pensar mais além do que já estamos acostumados a fazer; pensar nas vírgulas, nos pontos e nas entrelinhas de cada situação.

O autor admite não buscar por determinismos ou por uma nova moda literária, deixando clara sua intenção de promover o acesso e a difusão de seus pensamentos, com o intuito de ajudar numa tarefa simples e complexa que é a de enxergar detalhes do cotidiano, de modo que possamos (re)pensar alguns velhos conceitos. Ainda assim, caracteriza junto ao também – e exímio – escritor
fatimense José Roque dos Santos Nascimento, sua escrita como “Literatura Inovadora”.

O livro é dividido em três capítulos. O primeiro, Humanidade, traz várias histórias sobre o mundo, as pessoas, a vida… Elementos que compõem nossos sonhos e realizações. No segundo, Notícias Paradoxais, o autor revela toda sua indignação com situações que acontecem em nosso cotidiano e muitas vezes damos pouca atenção. E no terceiro capítulo, Compartilhando Pensamentos, somos presenteados com o pensamento de outros autores (alguns conhecidos, outros ainda não) que tratam a respeito de diversos assuntos, complementando magistralmente as ideias do autor.

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Obs.: O livro foi produzido de forma independente, contando apenas com um pequeno apoio financeiro do Instituto Banese/Museu da Gente Sergipana, da Gráfica Editora J Andrade e de alguns amigos.

Uma novidade que o autor apresenta é na opção de capa; os leitores têm duas opções de capa diferentes para escolher.

Informações complementares
Número de páginas: 148
Ano de publicação: 2012 (1ª edição)
ISBN: 9788560075898
Editora: Gráfica Editora J Andrade
Apoio: Instituto Banese/Museu da Gente Sergipana e Grupo de Escritores
AlumiaR
Preço sugerido: R$ 20,00

O livro poderá ser encontrado em breve na Livraria Saraiva e na Livraria Escariz, ao valor de R$ 20,00 ou entrando em contato com o próprio autor:

E-mail: jdneo@hotmail.com
Facebook: facebook.com/douglas.alves.5209
Currículo Lattes: http://lattes.cnpq.br/0393956017972311
Tel.: (79) 9851-0369 / (79) 8112-6581

Obs.: no dia do lançamento, a obra estará sendo vendida a um preço promocional de R$ 10,00, objetivando deixar o livro mais acessível a todos que gostam e necessitam de literatura.

MAIS INFORMAÇÕES SOBRE A OBRA E AUTOR:

Image(sobre o autor)
José Douglas Alves dos Santos é natural da cidade de Fátima/BA, residindo atualmente em Aracaju/SE, onde está terminando o curso de Pedagogia pela Universidade Federal de Sergipe. Em sua vida acadêmica já foi bolsista CNPq-ITI-A como monitor no curso de Pedagogia da Terra/UFS (projeto “A formação dos educadores do campo: processos e praticas em assentamentos de Reforma Agrária do Nordeste”, coordenado pela Profa. Dra. Marizete Lucini), bolsista como assistente de polo no curso de Especialização em Ges-tão Escolar da UFS (Escola de Gestores, coordenado pelo Prof. Dr. José Mário de Aleluia) e Coordenador Geral do Diretório Acadêmico Livre dos Estudantes de Pedagogia (DALEPe, 2010-2012). Atualmente, é monitor da disciplina de Didática (com os professores Florisvaldo Rocha e Marizete Lucini) e finaliza sua pesquisa monográfica a respeito do que as crianças pensam sobre o professor. Pesquisador em Cultura Docente e Discente, Cultura Escolar, Infância e Educação, Política e Sociedade, Literatura, Música e Cinema.

(texto contido na orelha do livro)
Escritor desde meados de 2005, autor de mais de seis obras – entre as quais, “[20099002]”, publicada em 2010 e “Folhas Secas”, texto publicado em 2011. Flamenguista, cinéfilo e ainda amante da literatura, da música e da fotografia; um observador de detalhes – desde os micro-detalhes, como uma folha caída no chão, aos macro-detalhes, como a beleza e os mistérios do universo. Gosta de
observar e pensar o mundo, as pessoas. Entre suas maiores conquistas, as que mais o orgulha são os amigos que fez – e ainda faz. Nascido em 1989 – ano que ficou marcado pela queda do muro de Berlim – o autor nos traz em sua escrita, em pleno ano de 2012, alguns dos vários muros que ainda compõem a nossa sociedade. Com isso, ele nos lembra que, simbolicamente, o ser humano vive
cercado por diversos muros, a maioria em forma de preconceitos, que vêm sendo gradativamente derrubados ao longo da história de nossa civilização.

DECLARAÇÃO ANARCOQUEER FEMINISTA CONTRA P.C.*, VÍTIMAS** E POLÍCIA QUEER***

Este texto é uma tradução de um manifesto vindo do site http://monstersdeclaration.wordpress.com/. Manifesto do qual achei que muita coisa merece ser debatida e pensada também no Brasil. Assim visando trazer as discussões de forma ampla, traduzi o texto que pode ser encontrado em inglês no site anteriormente citado. Boa leitura!

DECLARAÇÃO ANARCOQUEER FEMINISTA

CONTRA P.C.*, VÍTIMAS** E POLÍCIA QUEER***

*P.C. = Politicamente correto

**Vítima – uma pessoa que se recusa a tomar responsabilidade pela sua própria vida assumindo um papel passivo

*** Como o termo queer é um conceito, será referido como tal nessa tradução.

“Alguém disse que se requer menos esforço mental para condenar do que para pensar” – Emma Goldman

Nós somos os monstros que sobrevivem os desafios diários de viver cercados de merda e regras que aprisionam nossos desejos e corpos.

Nós somos os monstros que não são bem vindos em quase nenhum lugar.

Nós somos os monstros, os feios, os rudes, as putas, os gêneros fora da lei, as bruxas, os animais, os degenerados, os perversos, os não-educados, os punks.

Nós somos aquelxs que estão aptxs a ter uma chance real de mudar realidades, porque sabemos que mudar esse inferno é a única maneira para nós de evitar suicídios e suprimir o desejo de matar outros seres humanos.

E alguns de nós monstros temos algo importante para dizer.

Nós estamos fartxs com vocês: os politicamente corretos “queers” facistas, os sexofóbicos, os odiadores de trans, como das pessoas trans que querem nada mais do que finalmente serem vistas como “normais”, todxs aquelxs que escolhem por se adaptar à regras do patriarcado e de todo mundo mais que julga nossos desejos.

Nós estamos fartxs da sua hipocrisia e dos seus sórdidos e traiçoeiros meios de comunicação. Por anos, nós temos construído pontes e vocês estão só construindo novas fronteiras.

Nós estamos fartxs do veneno que sua auto-aversão e ignorância deixa nos nossos tempos e espaços.

Vocês e todas as pessoas que não podem ir além dos genitais, que não podem se permitir pensar livremente, que não veem a beleza no sujo, que não vão além dos padrões fixados e das regras estabelecidas, que não ultrapassam o espelho; vocês estão dando suporte a um sistema heteronormativo, capitalista e mainstream que constantemente nos empurra de volta para nossas precárias, dolorosas e insustentáveis posições.

Vocês são uma parte da porra do inimigo e nós não vamos mais aceitar seus ataques. Vamos chamar isso de uma “guerra aberta”. Então, por favor, agora vocês podem tirar suas máscaras cínicas e nós vamos finalmente ver uns aos outros. Talvez vocês nunca vão olhar dentro de nossos olhos ou dizer na nossa cara o que vocês têm dito pelas nossas costas. Por que vocês são fodidamente medrosos para falar o que vem a sua mente livremente, por que vocês engoliram o remédio deles e vocês aprenderam a se comportar como covardes. Então, vamos chamar isso de guerra aberta… e nós vamos destruí-los com um sorriso.

Nós, os monstros, estamos aqui para falar para vocês que nós vamos lutar pelo direito de ver e escolher, ao invés de aceitar silenciosamente sua cegueira forçada. Nós vamos lutar pela liberdade de nossos corpos e contra todos os tipos de repressão. Nós vamos ficar contra as (às vezes realmente sutis) violências que vocês tentam exercer sobre aquelxs que querem escolher livremente e decidir como, quando, onde e com quem dividir experiências sexuais.

Vocês estão usando o código P.C. como escudo, por que vocês carecem de inteligência emocional, empatia e paixão para criar novas ideias. Em vez de buscar uma solução, vocês preferem satisfazer seus desejos autodestrutivos destruindo a beleza e sabedoria das coisas que nós estamos constantemente construindo, que brotam de nossa felicidade, de nossas vidas, de nosso amor incondicional com nós mesmos e com todos os outros monstros.

Vocês nos desprezam, por que vocês não podem libertar suas mentes o suficiente para se juntar a nós, para nos amar – ou para, simplesmente, serem vocês mesmos. E vocês ainda preferem ficar perto de nós, tentando regular o que nós estamos fazendo, dentro dos espaços que nós criamos junto com nossos corpos, corações e mentes. Ao invés de lutar para aprender como amar a vocês mesmos e sua comunidade, ao invés de lutar junto a nós por um interesse comum anarco-queer-feminista, vocês estão tentando nos estrangular com suas regras, tirando nosso ar com sua infinita necessidade egocêntrica de atenção, com suas história de infâncias fudidas, sua patética pena de si mesmos. É a sua incapacidade de superar os traumas e tomar força a partir deles que nos incomoda.

Vocês estão nos reprimindo dentro de nossas comunidades de uma forma barata e injusta. Nós não sabemos como vocês tentarão nos enganar a seguir, mas nós sabemos que agora nós devemos nos proteger de vocês, como de qualquer outro inimigo que tente nos atacar. Mas ao invés de dizer a vocês para nos deixar em paz, porra, muitos de nós ainda estamos respeitando e apoiando seus caprichos. Nós, de coração aberto, te demos nosso tempo, nossa companhia, nossa inspiração, nosso “for-free-or-a-small-donation-entertainment” (entretenimento-de-graça-ou-por-uma-pequena-doação), nossas comidas lixo, nosso equipamento roubado, nossas roupas free-box. Vocês pegaram tudo que nós oferecemos e escolheram não dar nada em troca para nossa comunidade, além de conflitos e cercas de arames farpados.

Por essa traição, estamos cuspindo nos seus rostos repulsivos de classe média.

O protocolo P.C. é como um vírus num sistema de software livre. É para nos tornar nossa própria polícia, dentro de nossas cabeças, dentro de nossas cadeias/corpos. E esses mecanismos podem vir até nós vestindo um uniforme ou um moicano colorido, eles podem ter um pinto ou uma buceta, eles podem, também, ser extremamente discretos e até invisíveis.

É obvio que tiranos e idiotas podem estar em todos os lados da sociedade, eles podem ser policiais ou políticos, podem ser famílias perfeitas ou hippies, ele podem ser pretos ou brancos ou amarelos, pobres ou ricos e, sim, eles podem se chamar de “queers” também.

Ainda assim, o pensamento mais infeliz nas nossas vidas é que mesmo dentro de nossos “grupos de afinidade”, chamados de “a cena” ou “comunidades”, nós temos que lidar com censura, discriminação, exclusão e violência emocional. Todos os dias nós temos que lidar com seus pensamentos normativos “cuzões”. Nós temos que lidar com vocês que se atrevem chamar a si mesmos de queer, apesar de que tudo o que vocês fazem é “quadrado”.

Baseados no protocolo P.C., tudo o que vocês sabem fazer é uma simples coreografia de manipulação, mas nós, os monstros, gostamos de fazer as coisas numa guerra ética e justa, e – diferente de vocês – nós estamos fazendo isso combinando coração e intuição. Nós estamos ensinando a nós mesmos e a cada um a se comunicar ativamente e com respeito, ao invés de escolher armas covardes como vetos, banimentos e censura para restringir nossos desejos.

Uma das melhores estratégias para impedir qualquer tipo de sistema anti-luta é o de controlar a luta a partir do interior. Nesse sentido, o papel de “vítima” é a maneira mais poderosa de infectar uma comunidade anarco-feminista. Chamar a si mesmo de “vítima” é contraproducente. Isso permite que a “vítima” assuma um papel passivo a partir do qual pode somente demandar ajuda, e dessa forma exercer poder sobre os outros sem dar nada em troca.

Quando “vítimas” aparecem num movimento antissistema, elas normalmente demandam todas as energias dos combatentes. Existem muitos jeitos de ajudar alguém a sair desse papel, ajudá-los a lidar com seus problemas pessoais de um modo saudável e ético. Elxs precisam aprender como processar as experiências dolorosas que elxs sofrem, elxs precisam compreender como fazer esse trabalho emocional importante, como nós fizemos antes deles, ou estamos fazendo agora, nesse momento. Nós temos que promover estratégias em nossas comunidades para tornar esse conhecimento disponível para todo mundo, sem desperdiçar nossa energia toda vez que uma “vítima” chega. E, com certeza, o primeiro passo para trabalhar esses métodos é rejeitar a ideia de ser uma “vítima” e começar a investir nós mesmos em formas coletivas de auto empoderamento.

Nós, os monstros, nos recusamos a ser chamados ou chamarmos a nós mesmxs de “vítimas”. Por anos, nós temos lutado ativamente para ir além das nossas lesões em trocas respeitosas com os outros, nós temos tentado ativamente curar a nós mesmos, para que possamos continuar lutando lado a lado com os outros monstros o quanto antes for possível.

Nós sabemos por experiência que pode ser doloroso e difícil falar claramente com um amigo ou um aliado feridos. Mas isso é totalmente necessário de se fazer. Nós todos precisamos fazer isso: nos responsabilizarmos, primeiro por nós mesmos e depois uns aos outros.

O protocolo P.C. ajuda a evitar aquelas discussões necessárias reais, fazer aquelas conexões reais, adquirir um entendimento real das necessidades e desejos dxs outrxs. Portanto, nós os monstros, precisamos nos proteger do protoloco P.C. Nós, xs humanxs anarco-queer-feministas, devemos perceber que agora chegou o momento de rejeitar esse protocolo, de uma vez por todas.

Nossas forças e nossos poderes estão no nosso humor, na nossa brincadeira, na nossa alegria e independência, na nossa forma de lutar, viver, respirar, foder, amar, desejar…

Sabemos que a única possibilidade de sobrevivência que temos é a aliança com os outros monstros contra nosso inimigo comum. Lutas internas entre nós são apenas o começo do fim, e nós temos de parar com isso agora mesmo, antes que seja tarde demais.

Portanto, vocês, os bastardos camuflados, os policiais P.C. de merda, os inimigos da imaginação e da nossa luta pela liberdade: vão e deixem os nossos espaços, ou vão viver com as pessoas hetero-normativas, juntem-se às suas famílias, seus empregos e sua porra de sistema patriarcal.

Nós não queremos vocês ao nosso lado, não queremos vocês dentro de nós – nós queremos vocês fora de nossas vidas e política, de nossos corações e camas!

Você não é bem-vindo nas esferas dos monstros!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

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[NOTA: Este manifesto foi criado de forma coletiva e em um contexto particular de incidentes graves de censura e de injustiça que estão frequentemente ocorrendo em alguns lugares na cena queer/feminista em Berlim. Os fatos específicos que nos inspiraram a escrevê-lo são irrelevantes, vamos apenas dizer que este texto é sobre a interrupção dos direitos básicos e sobre violências extremas contra as manifestações de gêneros e sexualidades subversivas. Achamos que esses incidentes particulares também podem acontecer em outros lugares e contextos e consideramos este texto como uma advertência e um convite aberto para uma discussão construtiva sobre como queremos fazer coisas em nossas comunidades/contextos, a fim de evitar tais injustiças.

 Com este texto, temos a intenção de recuperar um entendimento dos espaços anarco-queer-feminista como locais onde opiniões e práticas diversas são abarcadas e podem coexistir de forma respeitosa. Onde opiniões e práticas diversificadas são vistas como uma expansão de nossos horizontes, em vez de serem a fonte de controvérsia e lutas dentro de nossas próprias comunidades. Com este texto, pretendemos lembrar a nós mesmxs e uns axs outrxs que os espaços queer são espaços de experimentação e prazer de todos os tipos, que se destinam a ser vazios do pensamento binário mainstream da sociedade, ou em outras palavras: onde as ideias não são primeiramente julgadas a partir dessas categorias “bom”/”mau”, “justo”/”mal”, “preto”/”branco”, “ok”/”não aceitável”. Com este texto, temos a esperança de inspirar uma discussão construtiva em torno destas questões e de se conectar com outros monstros em todo o mundo que compartilham experiências semelhantes em suas comunidades. Traduções serão apreciadas e, por favor, sinta-se livre para adaptar o texto à sua situação local ou às particularidades de seu idioma]

Texto original na língua inglesa pode ser encontrado no site: http://monstersdeclaration.wordpress.com/

*Buscamos manter neste texto expressões parecidas com as usadas no texto original, por isso repetimos os palavrões e as palavras que nem sempre são comuns na língua culta, falando assim também diretamente contra xs politicamente corretos da gramática.