Sobre educar os homens

Sobre educar os homens

As mulheres, através da luta do movimento feminista, conseguiram direitos como ir e vir, ter um emprego, de estudar; a luta nos ensinou que tudo que queremos nós podemos, mas tenho refletido muito sobre  termos conquistado diversos direitos sem mudar as estruturas, e esses direitos estão se tornando deveres e acúmulos de funções.

Hoje muitas mulheres compreenderam sua importância na história e vivem como protagonista, ao lado das antigas estrelas sociais: os homens. Contudo, essa mulher protagonista tem que se desdobrar em mil para atuar nos diversos núcleos que os direitos conquistados e os deveres antes instituídos as obriga. As “mulheres modernas”, uma expressão muito usada para veicular uma mulher que consegue fazer tudo, colocou a carga de trabalhadora, cuidadora e educadora, hoje ela faz tudo isso, cuida dos flhos (quando não também do marido), limpa, cozinha, lava, passa, faz às vezes relações sociais e está cada vez mais sobrecarregada. Eu tenho a impressão de que a ideia não era de abrirmos espaço para as mulheres adentrarem livremente no mercado de trabalho, mas continuarem escravas de um lar opressor e cheio de deveres, com pouca (ou nenhuma) divisão das tarefas.

Muitos sites, blogs e reportagens são voltados para ensinar  as melhores formas de se lidar com todas as atividades de seu dia, educando essas mulheres para não reclamar, mas sim espremer ainda mais seus deveres conciliando com o casamento feliz, marido satisfeito e filhos bem criados. Ensinamos, ensinamos e ensinamos, por fim, obrigamos essas mulheres a viverem da melhor forma possível mesmo sobrecarregada, contudo vejo que há uma negligência na outra parte envolvida em todas as tarefas. Esquecemos que também há outro adulto responsável na relação, outra pessoa que também pode ajudar, cuidar, educar, zelar, ser trabalhador. Envolvemo-nos tanto em educar essas mulheres em seus novos direitos que esquecemos, durante esse processo, que também é necessário educar os homens.

Refletindo sobre isso me lembrei de uma palestra da maravilhosa Heleieth Saffioti na qual ela diz que não adianta somente aumentar as punições sobre violência contra a mulher, também é necessário que os agressores sejam educados para compreender o porquê não se agredir. Levando isso em consideração amplio aqui a ideia, não só falando de violência, mas falando de divisões dentro do lar, divisões de trabalho e divisões de obrigação, negligenciamos reeducar esses homens para se tornarem parceiros e não chefes de suas esposas.

Aproveito aqui para ressaltar que uso o casamento monogâmico binário, pois ainda se constituem maiorias e, acima de maioria, ainda é construído e fixado na desigualdade.

Não adianta educarmos as mulheres se não nos propormos a educar os homens, não adianta lutarmos pela igualdade enquanto ainda rimos das piadas machistas ou misóginas, ou fechamos os olhos quando preconceitos acontecem ao nosso lado.

Criamos meninas com a obrigação da independência, mas também do casamento, da maternidade, do cuidado, enquanto isso, criamos meninos com a independência e só, para onde vão as obrigações com o casamento, com a paternidade quando falamos no masculino? E, com tantas exigências para onde realmente vai a independência das mulheres?

Antes de se revoltar com as ideias aqui escritas, peço que pare para refletir por alguns momentos, pense nas ideias expostas, antes de criticá-las, pois muitas vezes criticamos o que não nos faz bem na hora da leitura, mas nem sempre por ser uma ideia ruim, mas por ser uma ideia incomoda e até mesmo verdadeira.

Acho que a luta por direitos ainda não acabou, mas acho valido pensarmos como esses direitos estão sendo colocados para as mulheres em seu dia-a-dia e como isso está sendo aceito dentro dos ainda dominantes homens!

Para concluir deixo uma frase de uma de minhas autoras preferidas, que me faz realmente refletir e me leva para muito além dos grilhões que me são impostos, expondo tudo que quero dizer ou pensar em forma de sugestões ou perguntas diretas e sem desvios: Tania Swain:

Mas o falo, de fato, é hilariante! Quanta bobagem se diz para assegurar uma posição, um prestígio, uma importância, um poder destrutivo e excludente fantasiado de saber, revestido de um linguajar austero e pedante, novo glossário de termos enigmáticos, criados para reafirmar o mesmo, a mesma litania da diferença de sexos e da superioridade masculina. Afirmações de um masculino também redutor, localizado na genitália, domínio do falo “simbólico”, da linguagem, do masculino. Simbólico? Símbolo de poder social, sim, de superioridade, de partilha do mundo, criador da desigualdade de sexos, instaurados e naturalizados, de uma identidade sexuada, de uma sexualidade que traz em si a marca da identidade. A diferença de sexos é também uma criação social, na sagração do falo, na linguagem da desigualdade, na afirmação de poder do Um, que cria o Outro para melhor assentar sua importância e seu valor.

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