Feliz Crise e Um Bom Medo Novo

Feliz Crise e Um Bom Medo Novo

Todo ano, quando se aproxima o solstício de verão se aproxima no hemisfério sul, abaixo da linha do Equador e dos países “desenvolvidos”, chega uma época de alegria e de paz, de férias, presentes, amor, 13º salário, consumismo e desperdício, e não podemos esquecer é claro, de praia, sol e pele queimada.

Nesse período parece que as coisas seguem outro ritmo, talvez seja o calor, o stress do que passou, ou a ansiedade do que vem pela frente, ou talvez sejam só os programas especiais de natal na TV e as retrospectivas repetidas em todos os meios de comunicação que o “jornalismo” consegue encontrar, de todo modo, as coisas seguem outro ritmo.

Enfrentamos horas em filas de lojas e supermercados para comprar os últimos itens da ceia, aquele maldito brinquedo esgotado que seu sobrinho pediu, ou uma lembrança para aquele seu colega de trabalho que você não suporta, mas que acabou tirando no amigo secreto da empresa.

Com todos esses compromissos inadiáveis e questões importantes para lidar – do tipo: “Levo chester ou peru?”, “Será que é melhor a Cereser é o rosa ou o branco?”, “Quanto eu levo de cerveja?” – algumas coisas menos importantes acabam passando despercebidas aos nossos olhos.

Por exemplo, com todos esses problemas na cabeça, quem iria reparar nos 5 dias de conflito entre os manifestantes egípcios e o governo militar de transição, que assumiu depois da saída de Hosni Mubarak, e já deixou 13 mortos desde sexta feira (16/12).

Ou então os mais de 100 mortos só ontem (19/12) na Síria, vítimas da guerra civil entre “rebeldes” e o governo de Bashar Assad, alcançando a contagem de 5000 mortos desde março desse ano, sem contar as torturas e outras violações de direitos humanos cometidas bem debaixo dos olhos dos observadores da ONU.

Ninguém teve tempo também para ver os mais de 30 manifestantes presos no movimento Occupy Wall Street nesse final de semana (17/12) por tentarem “invadir” uma igreja episcopal próxima à praça Zucotti (do ladinho da Wall Street), inclusive, entre os “invasores” presos estava um bispo da tal igreja.

Ninguém viu também as crianças desmaiando de fome nas escolas gregas, pela falta de verba gerada pela crise que devasta a estrutura econômica do país.

E mesmo aqui no nosso Brasil varonil, com tanta coisa pra resolver, ninguém pode parar para prestar atenção nas fraudes na Caixa Federal, que podem dar um prejuízo de R$ 100 milhões ao FGTS, ou nos vereadores de Campinas que aprovaram um amento de 126% no próprio salário enquanto a polícia escorraçava os manifestantes contra para fora da Câmara Municipal.

Teve muita gente, inclusive, que nem reparou no livro lançado pelo jornalista Amaury Ribeiro Jr. Denunciando inúmeros esquemas, falcatruas, fraudes e pilantragens envolvidas na era das privatizações do governo FHC.

Mas tudo bem, é que essa época é mesmo muito corrida, quase não dá tempo para nada, e ainda assim, pelo menos nas redes sociais, o povo brasileiro demonstra que sabe bem como ordenar suas prioridades e comprar as brigas que realmente importam e vão trazer benefícios para todos: Porque se preocupar com corrupção, fome, direitos humanos e etc. enquanto há algo muito mais sério para nos preocuparmos, como uma enfermeira em Goiás que espancou o cachorrinho até a morte…

Isso sim é que é prioridade! Valeu de novo Espírito Natalino!

Nada contra defender os direitos dos animais, mas é preocupante ver toda a mobilização que isso gerou em poucos dias, enquanto outros temas tão revoltantes quanto, ou mais, são sumariamente ignorados. Mas essa é só a minha opinião, cada um tem a sua e todos podem expressá-la, sendo assim, esperemos apenas pelo ano que vem, que já começa com tensões diplomáticas anunciadas na Coréia do Norte, no Congo e na nossa vizinha Venezuela. Feliz ano novo!

 P.S.: Qualquer indicação de ironia ou sarcasmo por parte do autor é sim totalmente intencional e premeditada!

O Espaço Cult entrará em recesso, corroborando com o espírito natalino, e como nós sabemos que nessa época tudo pára, nós também pararemos.

Estaremos de volta dia 05 de janeiro de 2012.

Merry Crisis and Happy New Fear!

Espaço CULT

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About Diego Coletti Oliva

Sou apenas um jovem estudante de Ciências Sociais, tentando ainda formar minha própria opinião sobre as coisas. Sem pretensões de fama e sucesso, apenas em busca de consciência.

4 responses to “Feliz Crise e Um Bom Medo Novo”

  1. Carolina Ribeiro says :

    Amor, fechando 2011 com muito estilo! Esse artigo ficou demais! É ótimo fazermos essa parceria na vida e na intelectualidade!

    Amo vc!

    Bjos

  2. JOSE VALMIR says :

    Eu assisto diariamente pelo menos dois telejornais e nao vejo nada do que voce coloca no seu artigo. Como a mídia é capciosa! Se formos depender da grande midia para termos informações, estamos no mato sem cachorro, quiçá até sem gato! Mas, como, quem nao tem o cao caça com o gato, ainda bem que temos o gato da midia alternativa, dos blogs, da internet etc.

    • Diego Coletti Oliva says :

      Realmente José Valmir, depender da grande mídia para informações hoje em dia não apenas falho, como arriscado, recebemos poucas informações, direcionadas e mal interpretadas, mas como vc mesmo disse, ainda bem que existem outras formas de mídia, e esperamos que você continue acompanhando nosso trabalho por aqui!

  3. Nádia Freitas says :

    Sempre gosto muito dos seus artigos, Di! Parabéns! Beijos.

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