Profissão: SOCIÓLOGO

Profissão: SOCIÓLOGO

 Revisando Durkheim (mais uma vez) comecei a me questionar (mais uma vez) o quanto me sinto longe da neutralidade baseada nas ciências da natureza como o autor propõem, e não é que eu não goste dele, pelo contrário, foi um dos textos mais gostosos que li nos meus estudos recentes, mas estava refletindo o quanto eu sou apaixonada pelo meu tema e o quanto sou impulsionada por ele para perseverar nessa profissão como socióloga.

Quando dizemos às pessoas o que nós somos, SOCIÓLOG@S, as mais diferentes reações são encontradas ou “nossa eu acho lindo essa profissão” (diga-se de passagem na maior parte das vezes a pessoa nem imagina o que você faz e acha que somos ASSISTENTE SOCIAIS, com falas tipo “ vocês ajudam as crianças carentes, né?”) ou então a pergunta “Ah tá, mas vocês fazem o que?” ou talvez um simples e único “HUMMM!” (Essa pessoa também não sabe o que fazemos, mas  fica com vergonha de perguntar) ou por fim, a pergunta foco desse texto é: “Mas fora dar aulas, onde vocês podem trabalhar?”.

E durante muito tempo a minha resposta a essa pergunta era evasiva como “Bom, tem ONGs, partidos políticos…” e aqui eu já mudava de assunto, porque na verdade nem sabia se ONGs e partidos políticos estavam realmente na lista do que podemos fazer, (rs), mas ao vir para Curitiba me deparei com diversas novas possibilidades para minha profissão, o que é um alívio para aqueles que não querem ser professores, o que não é meu caso, mas muito dos meus colegas tem vontade de exercer a profissão SOCIÓLOGO e não ser professor de Sociologia, contudo além de tudo isso, comecei a pensar o quanto eu não estou preparada para essas profissões que aparecem no caminho que exigem ciências sociais ou mestrado em Sociologia, ou ainda mais titulações.

Durante uma parte de minha graduação eu me enfiei em assembleias, das quais nunca decidíamos nada, festas-protesto e até mesmo comícios. Eu, como a maioria dos meus colegas, apaixonei-me por Marx, emocionei-me com Rousseau e odiei Weber, hoje a minha realidade teórica é bem diferente e bem mais pragmática em relação aos sentimentos pelos autores, mas mesmo com todo o longo caminho da graduação e o longo caminho de textos muitas vezes desafiadores, ainda percebo o quanto não estou preparada para encarar o mercado de trabalho do sociólogo.

Quando estamos na academia acostumamos com horários malucos, sem domingos ou feriados, sem a felicidade da sexta-feira ou a tristeza do domingo, porque os dias se seguem bem diferentes das 40 horas de trabalho semanal das 8:00 as 18:00 que encontramos no mercado. Muitos estudam de madrugada, alguns praticamente moram na biblioteca da universidade, outros estudam em casa e passam mais tempo sentados na frente da escrivaninha do que as propostas 40 horas semanais do mercado de trabalho, mas mesmo assim seguindo um ritmo todo próprio. Como lidar com as novidades do mercado e adaptar-nos a essas novas demandas?

Acho realmente interessante esses empregos que valorizam e oferecem opções a nossos profissionais, mas estamos preparados para lidar com o mercado, com administrações e com os desafios da rotina das 40 horas semanais?

Aqueles meus amigos e amigas que respondem: SIM, sem ao menos pensar duas vezes, eu tiro meu chapéu, mas acredito que muitos realmente se questionarão sobre isso e, como eu, não conseguirão encontrar uma resposta e terminar por fazer o que nós sociólogos somos bons mesmo: criar ainda mais perguntas.

Eu resolvi me aventurar por alguns novos ramos da sociologia para além da academia, em breve passo alguns relatos do que encontrei para vocês, mas será que há vida além da academia?

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4 responses to “Profissão: SOCIÓLOGO”

  1. Diego Coletti Oliva says :

    Mais um ótimo texto meu anjo, sempre levantando questões interessantes! Realmente encontramos bem mais opções de trabalho do que esperávamos aqui em Curitiba, e algumas dessas opções tem demonstrado como reclamamos demais da vida acadêmica antes de conhecer a vida fora dela. Hoje nem reclamo (tanto quanto costumava) dos valores das bolsas ou das exigências de produtividade! Hoje conseguimos ter uma prévia de como o mercado de trabalho é f***, mas não vou dar spoilers aqui, espero seus comentários e percepções sobre o trabalho depois!

    Te amo! E continue escrevendo sempre!

  2. JOSE VALMIR says :

    Eu sou filósofo, e ao sair da academia fui trabalhar num projeto do governo do estaddo da Bahia. É um programa para desenvolver politicas públias para as comunidades com menores IDH. No treinamento com a cupula da Secreataria de Adminstracao da Bahia, resolvi citar Darcy Ribeiro, Gilberto Freire, Segio Buarque de Holanda, além de Mészáro – Para além do capital. Ouvi deles que ali nao era espaço para flosofar. Ao que eu responndi: uma nação que prescinde dos filósofos é uma nação de bárbaro.

  3. vania says :

    gostaria de saber mais sobre durkheim como ele reagiria diante de uma desoculpçao de uma favela

  4. Jonas Ribas says :

    Amigo, sou estudante de CSO da universidade de Blumenau. Estou construindo meu TCC sobre as possibilidades dr trabalho do cientista social. Estou me atrapalhando um pouco nas referências, se tiver algo para me indicar agradeço, abs

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