A história de Monika Ertl e a vingança de Che Guevara – Parte I

É fato que no dia 9 de outubro de 1967, o guerrilheiro Ernesto Che Guevara foi capturado e morto na selva boliviana por uma força tarefa treinada pela CIA. A frente dessa operação, na Bolívia, estava o comandante Roberto Quintanilla Pereira, que comandou também outras operações de repressão e morte a grupos de esquerda em seu país, inclusive prendendo, torturando e matando o também sucessor de Che à frente do Exército de Libertação Nacional, Guido “Inti” Peredo. Teria partido de Quintanilla a ordem para mutilar o corpo de Che, que teve as mãos decepadas e enviadas para os EUA como prova de sua efetiva eliminação.

É também fato que Quintanilla foi agraciado com o cargo de cônsul da Bolívia em Hamburgo, em virtude de seus serviços prestados ao governo boliviano, e que no dia 1 de abril de 1971, estava em seu gabinete trabalhando quando recebeu a visita de uma mulher muito bela, que se dizia professora de música e agendara uma reunião para debater um possível intercâmbio com alunos bolivianos. Porém, ao invés de sorrisos e cumprimentos a suposta professora apresentou-lhe uma arma carregada, e o alvejou com três tiros de calibre 38 no tórax, matando-o.

A atiradora era na verdade Monika Ertl, filiada ao ELN e pertencente a uma família cercada de conexões com personagens e fatos históricos bastante notórios. Para explicar tais fatos que culminaram no evento acima descrito é preciso voltar um pouco no tempo, na Alemanha de Hitler.

Durante o terceiro Reich a casal Ertl, Hans e Aurélia, bem como suas filhas Beatrix e a mais nova Monika, gozavam de boa posição social e proximidade ao poder. Hans era cineasta e chegou a trabalhar como fotógrafo do Ministério da Propaganda Nazista, cargo que conseguiu por indicação de uma grande amiga, Leni Riefenstahl, autora de obras como “O triunfo da vontade” e outros filmes e documentários que marcaram a propaganda nazista naquela época.  Aurélia chegou a participar do comitê de organização das olimpíadas de 1936, quando houve o fim da guerra, a família Ertl fugiu para Bolívia, Monika tinha então 16 anos.

Vivendo em um bairro nobre de La Paz, Hans continuou trabalhando como cinegrafista, organizando expedições para áreas selvagens nos Andes e na Amazônia, com o propósito de filmar documentários sobre a população indígena, contava com a ajuda de Monika que se demonstrava uma jovem ativa e aventureira. Foi durante as expedições com o pai que aprendeu a atirar.

Muito bela, a jovem Monika atraía os olhares na comunidade alemã de La Paz, após a morte da Mãe em 1958 acaba por se casar com um rico engenheiro chamado Johan Harrjese, o que na verdade foi uma maneira de se livrar das investidas de outro imigrante alemão, o sinistro Klaus Altman.

Altman era ninguém mais do que Klaus Barbie, capitão das Waffen-SS (ficha de inscrição 272284), condecorado com a Cruz de Ferro de Primeira Classe.

Conhecido com carniceiro de Lyon, administrava o campo de extermínio onde mandou para a câmara de gás inúmeros prisioneiros, sendo pelo menos 44 crianças (entre 3 e 14 anos) refugiadas no Lar dos Órfãos Judeus de Izieu. Dono de um sadismo típico dos algozes nazistas, mergulhava prisioneiros em banheiras com água gelada e em seguida escaldante, amputava e espancava até a morte.

Após a queda do III Reich, encontrou abrigo na Bolívia, sendo ajudado principalmente por Hans Ertl, que lhe garantiu uma nova identidade, emprego e filiação com grupos de ultra direita sustentados pelas ditaduras sul-americanas. Barbie foi contratado pelo governo boliviano para adequar o funcionamento de sua polícia política ao “modelo da SS”.

Enquanto o casamento de Monika e Johan se desfazia, seus conflitos com o pai aumentavam a medida que ela também se mostrava inclinada aos ideais revolucionários. Criticava a submissão imposta às mulheres e o conservadorismo na sociedade em que pertencia, bem como as gigantescas disparidades econômicas nessa mesma sociedade. Em uma viajem pela a Alemanha, Monika teve contato com a juventude revolucionária alemã no grupo Baader-Meinhof.

Ao voltar para Bolívia, Monika já era uma revolucionária.

Continua…


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4 responses to “A história de Monika Ertl e a vingança de Che Guevara – Parte I”

  1. Rodrigo de Oliveira Andrade says :

    Parabéns, Sérgio, pelo texto! O interrompeu no momento certo para deixar o leitor com um gostinho de “quero mais”. Estou ansioso pelos próximos capítulos dessa história. Confesso que não a conhecia.

    Sucesso!

    • Sérgio A. Ramos Jr. says :

      Logo haverá mais!! estou consultanto umas outras fontes!!É de fato uma história e tanto!! Valew!!

  2. Carolina Ribeiro says :

    Sergis querido, desde q me disse q escreveria um artigo sobre a Monika, após me mostrar um pouco da história dela, fiquei empolgada esperando… e agora continuarei esperando o resto da história kkk.
    Estou curtindo o andamento, realmente é uma mulher muito interessante!
    Até o próximo artigo…
    Bjos

    • Sérgio A. Ramos Jr. says :

      Essa mulher tem uma história de vida fantástica! O que mais surprende são os elos com outros personagens histórios!!Logo mandarei a segunda parte. Valew

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