Namastê Mahatma Gandhi

Por Carolina Ribeiro

Por muito tempo refleti sobre o que escrever no meu artigo de estreia do novo formato do blog, pensei tanto que acabou passando a estreia e eu não consegui decidir. Primeiro tinha pensado em escrever sobre o que é heterotopia feminista, explicando porque escolhi esse nome para minha coluna e tudo mais, contudo desisti, não estou na vibe por enquanto, mas em breve vou escrever para discutirmos sobre isso.

Hoje quero escrever sobre algo mais pessoal, algo mais meu, menos acadêmico, com menos preocupações em medir os termos; um artigo onde eu pudesse escrever mais das minhas palavras, expressar-me livremente e resolvi que homenagearei uma pessoa da única forma que eu consigo pensar, darei todo meu amor e carinho nas palavras a seguir para Mahatma Gandhi.

Meu fascínio e admiração por essa alma iluminada começou quando assisti o filme Gandhi (que eu recomendo profundamente), pude compreender um pouco mais da importância dessa figura para a história indiana e indiretamente para todas as histórias de luta não-violenta por liberdade.

Nesse artigo não tenho intenção de fazer um percurso histórico da vida do Gandhi, mas relembrar alguns de seus ensinamentos e especialmente a sua luta pacífica que surtiu resultados. Também aqui não quero pregar nenhuma religião, Gandhi já nos dizia que “As religiões são caminhos diferentes convergindo para o mesmo ponto. Que importância faz se seguimos por caminhos diferentes, desde que alcancemos o mesmo objetivo?”, tendo isso em mente durante as próximas linhas, compreendam que minha admiração por esse a quem eu me dou o direito de chamar de Mestre não advém de minha religiosidade pessoal, mas sim dos preceitos de paz, igualdade e serenidade pelos quais luto todos os dias entre os meus para conquistar, mesmo muitas vezes fracassando miseravelmente.

Gandhi nasceu em 2 de outubro de 1869 e faleceu em 30 de janeiro de 1948, lutou durante sua vida pela liberdade das indianos, contra a opressão do Estado e da colonizadora Inglaterra. Sua forma de protesto ficou conhecida como Satyagraha que influenciou figuras como Nelson Mandela e Martin Luther King.

“A não-violência e a covardia não combinam. Posso imaginar um homem armado até os dentes que no fundo é um covarde. A posse de armas insinua um elemento de medo, se não mesmo de covardia. Mas a verdadeira não-violência é uma impossibilidade sem a posse de um destemor inflexível”

Após muitos de seus protestos ficarem conhecidos e temidos não só na Índia, mas em todos os países, Gandhi adotou o jejum como forma de protesto individual, também incentivava que todos boicotassem os produtos importados, especialmente da Inglaterra, incluindo também as mulheres dentro da luta pela liberdade, dizendo que elas deveriam dedicar seu tempo a produzirem khadi (vestimenta indiana típica fabrica à mão), indiferente de sua classe social. Por mais que hoje tenhamos ressalvas a esse pensamento, muitas vezes não nos parece revolucionário o suficiente, para a época e numa sociedade totalmente estamentária como a Índia, esse pensamento era o máximo de revolucionário que conseguiríamos encontrar, considero também que são graças a pequenos passos como esse – incluir as mulheres na revolução – que hoje conseguimos alguns avanços muito mais significativos.

“Temos que nos tornar na mudança que queremos ver.”

Após todos os protestos pacíficos e os pensamentos partilhados Gandhi foi assassinado à tiros em 1948 por um hindu radical que creditava diversos problemas de Estado que ocorriam naquele momento histórico à Mahatma. O ultimo pedido do grande Mestre foi a não punição de seu assassino (claro que após sua morte seu pedido foi ignorado).

Espero que com essas poucas palavras sobre Gandhi eu possa ter suscitado em vocês algo de positivo, ou até mesmo uma curiosidade sobre essa personalidade, caso vocês ainda não conheçam muito sobre essa figura exemplar vale a pena pesquisar e assistir o filme Gandhi.

Albert Einstein disse que “as gerações por vir terão dificuldade em acreditar que um homem como este realmente existiu e caminhou sobre a Terra” e realmente me pego pensando se algum dia veremos algo como A Grande Alma Gandhi entre nós novamente!

Só engrandecemos o nosso direito à vida cumprindo o nosso dever de cidadãos do mundo.” Gandhi


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7 responses to “Namastê Mahatma Gandhi”

  1. Diego Coletti Oliva says :

    Sem querer ser puxa saco, mas excelente seu artigo amada!

    Gandhi com certeza é uma figura que marcou a história da humanidade e que merece ser relembrado sempre. Um revolucionário e um sábio e como disse o Einstein, é difícil acreditar que um ser humano assim tenha realmente existido e caminhado entre nós!

    Recomendo à todos que não tenham assistido que assistam, e pra quem não conhece a história dessa grande alma, conheça!

    Parabéns pelo texto e pela sacada amorzão!

    • Carolina Ribeiro says :

      Obrigada pelos elogios amor!

      Você sabe que Gandhi é um ser no qual me inspiro profundamente, mesmo estando muito longe e sempre batalhando para ser melhor, ele é um mestre para mim.

      Obrigada por comentar
      Bjos
      Amo você

  2. Gabriel Alarcon Madureira says :

    Cah,

    Adorei seu texto, muito gostoso de ler e mais do que informativo, achei realmente inspirador para conhecer Gandhi e seus ensinamentos. Curti dois ponto altos do texto. O primeiro quando você fala que fracassa miseravelmente na prática da paz, da igualdade e da serenidade. Olha, estamos num mundo de violência, de iniquidade e completamente caótico. Não é você que fracassa, nós é que somos naturalmente desequilibrados espiritualmente. O segundo quando você fala que muitos comentam sobre a insuficiência da revolução de Gandhi. Olha estive conversando com outra amiga: se cada um rompesse com seus próprios limites, o mundo seria um lugar melhor, independente da pequenez destes limites. Parabéns. Bjo

    • Carolina Ribeiro says :

      Como diria o Gandhi “Temos que nos tornar na mudança que queremos ver”, acho q embora eu falhe miseravelmente, continuo tentando, sendo a mudança por mim mesma, como vc disse tentando romper minhas limitações.

      Fico feliz demais que gostou do texto e sou ainda mais feliz por ter amigo/marido como vc!

      Bjos
      Obrigada

  3. Lara Facioli says :

    belo artigo Carol!!!!!

    é realmente bem o que Einstein disse, vivemos uma época onde todo esse humanismo falta tanto, que chegamos a duvidar que pessoas como ele puderam existir….não sei se meu pessimismo é demais, mas o individualismo que vivemos hoje acho que tende a não deixar surgir mais ninguém assim……

    o máximo que podemos fazer é mesmo postar em um blog e tomar alguns ensinamentos pra nossa vida pessoal né?

    bjooooooooooooooo

    • Carolina Ribeiro says :

      Mano obrigada por ter comentado!

      Mas acho justamente que é esse individualismo q estamos vivenciando que faz uma pessoa como Gandhi mais utópico dentro da nossa realidade.

      E realmente acredito q era isso q eu poderia fazer, para levar àqueles que não conhecem um pouco mais desse mestre maravilhoso!

      Obrigada pelos elogios Irmão

      Bjo!!

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